História Geral de STP
Entre o final do século XV e o final do século XVIII, a história de São Tomé constrói-se no cruzamento de dinâmicas portuguesas, africanas e atlânticas. Identificada por navegadores portugueses em 1471, a ilha (então considerada desabitada) não é tanto “descoberta” quanto pensada e integrada num projeto imperial. Durante muito tempo, julgado pouco atrativo devido às doenças e ao seu afastamento, torna-se, a partir de 1485, um território estratégico para a Coroa. O povoamento baseia-se, então, largamente no envio de populações marginalizadas (degredados, condenados, crianças judias deportadas), mas também de europeus livres, agentes régios e africanos livres, enquanto a escravidão se torna central na economia e na sociedade insulare.
De facto, no início do século XVI, São Tomé afirma-se como um centro maior de produção açucareira e de redistribuição de escravos africanos, no coração das trocas entre África, Europa e, mais tarde, a América. No entanto, a sociedade santomense não se resume a um modelo colonial fixo: é marcada pela presença de africanos livres, pelos marronagens, por conflitos políticos internos e por revoltas de escravos, nomeadamente a conduzida por Amador em 1595.
Se a produção açucareira declina no final do século XVI, isso não implica nem um colapso global nem o desaparecimento das dinâmicas locais. Ao longo dos séculos XVII e XVIII, a ilha continua a ser um espaço diversificado e dinâmico. Essas dinâmicas, sustentadas em grande parte por africanos (escravos formados em ofícios especializados, africanos livres, comunidades de marrons), mostram que São Tomé não pode ser reduzida a uma simples colónia de plantação ao longo da sua história. Ao inscrevê-la no Mundo Atlântico, trata-se de ultrapassar as noções historiográficas rígidas de “grandeza”, “decadência” ou “abandono”, para compreender São Tomé como um espaço em transformação permanente e revelar a formação complexa de sociedades múltiplas, moldadas tanto pelos poderes europeus quanto pelas iniciativas africanas e locais.
No futuro, iremos desenvolver gradualmente a rica história de São Tomé e Príncipe nesta página.